Carl Ransom Rogers (1902-1987) é um dos psicólogos mais influentes do século XX e um dos fundadores da psicologia humanista. Sua abordagem revolucionária, a Terapia Centrada na Pessoa, mudou o foco da terapia de “tratar a doença” para “facilitar o crescimento” do indivíduo.

Nesta biografia, vamos explorar a vida de Rogers, seus conceitos inovadores e como sua crença no potencial humano continua a impactar a psicologia, a educação e as relações humanas.

Origem e Formação: Do Agronegócio à Psicologia

Nascido em 8 de janeiro de 1902, em Oak Park, Illinois (EUA), Rogers cresceu em uma família rígida e religiosa. Inicialmente interessado em agricultura, ele mudou seu foco para a teologia e, posteriormente, para a psicologia clínica e educacional.

Obteve seu doutorado na Universidade de Columbia em 1931. Sua experiência prática com crianças e famílias em Rochester, Nova York, foi fundamental para o desenvolvimento de suas ideias. Ele percebeu que as teorias tradicionais (como a psicanálise) nem sempre funcionavam na prática e começou a buscar uma abordagem mais eficaz e humana.

A Teoria Centrada na Pessoa

Rogers acreditava que cada pessoa possui uma tendência inata para o crescimento e a realização de seu potencial, o que ele chamou de Tendência Atualizante.

Seus conceitos centrais incluem:

  • O Self (Eu): A percepção que o indivíduo tem de si mesmo. O objetivo da terapia é ajudar a pessoa a alinhar seu “Eu Real” (quem ela é) com seu “Eu Ideal” (quem ela gostaria de ser), reduzindo a incongruência.
  • As Condições Necessárias e Suficientes: Rogers propôs que, para que a mudança terapêutica ocorra, o terapeuta deve oferecer três condições essenciais:
    1. Empatia: A capacidade de compreender o mundo do cliente como se fosse o seu próprio.
    2. Aceitação Incondicional Positiva: Aceitar o cliente sem julgamentos, valorizando-o como pessoa, independentemente de seus comportamentos.
    3. Congruência (Autenticidade): O terapeuta deve ser genuíno e transparente na relação.

O Que Mudou com a Teoria de Rogers?

Rogers democratizou a terapia. Ele substituiu o termo “paciente” (que sugere passividade e doença) por “cliente” (que sugere agência e responsabilidade).

Sua abordagem mudou a prática clínica ao:

  1. Enfatizar a relação terapêutica como o principal veículo de cura.
  2. Tirar o terapeuta da posição de “especialista” e colocá-lo como um facilitador.
  3. Aplicar seus princípios não apenas na clínica, mas na educação (aprendizagem centrada no aluno) e na resolução de conflitos internacionais.

Prós e Contras da Abordagem Centrada na Pessoa

Prós (Legado Positivo):

  • Humanização: Coloca a dignidade e a experiência do indivíduo no centro.
  • Empoderamento: Encoraja a autonomia e a autoeficácia do cliente.
  • Versatilidade: Seus princípios de escuta ativa e empatia são aplicáveis em diversas áreas (liderança, enfermagem, mediação).

Contras (Críticas Comuns):

  • Falta de Estrutura: Pode ser vista como muito não-diretiva para clientes que buscam conselhos práticos ou diagnósticos específicos.
  • Limitações em Transtornos Graves: Críticos argumentam que pode não ser suficiente para tratar transtornos psiquiátricos severos (como esquizofrenia) sem outras intervenções.
  • Idealismo: A crença na bondade inerente do ser humano pode ser vista como ingênua por alguns.

O Fim da Vida e o Legado

Carl Rogers continuou ativo até o fim de sua vida, aplicando seus princípios em workshops e grupos de encontro ao redor do mundo. Ele faleceu em 4 de fevereiro de 1987, em San Diego, Califórnia.

Seu legado é vasto. A Psicologia Humanista se tornou a “terceira força” na psicologia (ao lado da Psicanálise e do Behaviorismo), e a importância da aliança terapêutica é hoje reconhecida por todas as abordagens como um dos principais preditores de sucesso na terapia.

Para Rogers, “o curioso paradoxo é que quando eu me aceito como sou, então eu mudo”.

Descubra outras vertentes da psicologia neste artigo.

Escrito por Lemuel Gonçalves, Psicólogo Clínico (CRP 05-77795), que valoriza a empatia e o potencial humano em sua prática integrativa.

Lemuel Gonçalves

Lemuel Gonçalves

Psicólogo

Eu sou esposo, pai e psicólogo clínico, formado pela Universidade Gama Filho (UGF-RJ) em 2008, e conto com mais de 15 anos de experiênciano atendimento psicológico.

Tenho pós-graduação em Terapia Cognitivo Comportamental, Neuropsicologia e também atuo na Abordagem Centrada na Pessoa.

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